Horror

A lua brilhava em seus olhos dourados enquanto ele me olhava passionalmente. O vento soprava entre seus cabelos macios e negros. Ah, como eu gostava de passar meus dedos neles. Sua boca vermelha se abriu em um sorriso enquanto ele se inclinava sobre mim e beijava meus lábios vorazmente. Seu hálito tinha sabor de morango e hortelã, seu perfume era amadeirado, suas mãos másculas passeavam em meu corpo com malícia. Eu sabia o que ele queria. E eu também queria. Seus dedos ansiosos começaram a tirar minha blusa, desabotoar minha calça, e me apalpar como ninguém tinha feito antes.

Apesar das ondas de prazer que se alastravam por onde suas mãos passavam, eu ainda me sentia um pouco… Incomodada. Como se estivéssemos sendo observados. Claro que não era exatamente impossível isto acontecer já que estávamos no meio de uma clareira numa floresta. Afinal, tínhamos passado por uma cabana de madeira antes de achar o lugar perfeito para montar o acampamento. Fechei meus olhos e cedi ao desejo. Abri-os novamente quando só estava de calcinha. Contemplei seu corpo perolado pela lua e me encantei com sua beleza nua. Foi só aí que eu vi uma sombra passar veloz pelas árvores. Meu corpo retesou-se: tinha alguma coisa errada. Um galho estalou atrás de nós e eu me virei, assustada, para ver o que era. Era um coelho. Talvez eu só tivesse pirando simplesmente pelo fato de estarmos abusando da sorte e transando em um lugar tão aberto. Mas eu sabia, eu tinha certeza que a sombra que eu tinha visto era bem maior que um inofensivo coelho. Era humanóide.

Erick me beijava ardentemente quando um barulho ensurdecedor quebrou o silêncio e ele caiu pesadamente em cima de mim. Um líquido morno, grosso e escuro escorria de sua cabeça tombada em meu peito nu. Chamei seu nome relutantemente, mas ele não se mexeu. Virei-o de lado e sufoquei um grito de horror: um buraco de bala atravessara a cabeça do meu namorado. Pus-me a correr no meio da mata fechada. Eu podia ouvir alguém correndo atrás de mim, mas não me virei para ver quem era. Estava passando por uma árvore especialmente larga quando uma mão peluda agarrou meu braço ensangüentado e me deu uma coronhada na cabeça.

Quando acordei, uma terrível dor de cabeça se apoderava de mim, cordas prendiam dolorosamente meus braços e pernas a uma cama desconfortável, dois homens olhavam meu corpo nu com uma expressão pervertida. O mais alto se aproximou do meu ouvido e sussurrou: “Vai ser bem rápido se você cooperar, lindinha”. Ele começou a me tocar de um jeito tão terrível que eu desejei morrer. Eles se revezavam enquanto abusavam de mim de todos os jeitos possíveis, e durante todo o tempo eu os implorei pra que me matassem, sempre que conseguia segurar o choro por tempo suficiente. Tentei provocar uma hemorragia mordendo minha língua com toda a minha força, mas quando os pervertidos perceberam o que eu estava tentando fazer, deram-me dois murros e disseram que se eu tentasse apressar as coisas doeria mais.

Depois do que pareceu uma eternidade, o mais baixo saiu de cima de mim e sacou uma faca de sua calça jogada no chão. Ele a deslizou pelo meu corpo suado e trêmulo algumas vezes. A primeira apunhalada me pegou de surpresa. A lâmina me penetrou pelo menos 20 vezes. Pode parecer estranho, mas as facadas doíam menos do que o estupro em si. Não tinha a parte humilhante, era quase… Bom. Fui deixada para sangrar até a morte sob os olhares atentos dos dois homicidas. Quando minha visão já estava ficando escurecida, e o colchão ensopado e quente, um dos dois perguntou-me com uma risada sarcástica: “Últimas palavras?” e, com um suspiro cansado, eu disse: “Vocês pagarão”.

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